Diabetes e retina
Retinopatia diabética: diagnóstico, acompanhamento e tratamento
A retinopatia diabética é uma complicação do diabetes que afeta a retina, a camada sensível à luz no fundo do olho. Pode começar sem sintomas e evoluir mesmo quando a pessoa ainda enxerga bem. A avaliação com o retinólogo permite identificar as alterações, definir o acompanhamento e indicar tratamento quando necessário.
Como o diabetes afeta a retina?
Ao longo do tempo, o diabetes pode danificar os pequenos vasos sanguíneos da retina. Eles podem apresentar vazamentos, sangramentos e áreas de circulação reduzida. Em situações mais avançadas, podem surgir novos vasos anormais e frágeis, que aumentam o risco de hemorragia e outras complicações. Informações do National Eye Institute.
O risco está relacionado, entre outros fatores, ao tempo de diabetes e ao controle da glicemia, da pressão arterial e do colesterol. O cuidado com a retina deve acompanhar o tratamento conduzido pelo endocrinologista ou pela equipe responsável pelo diabetes. Orientações da American Diabetes Association.
Retinopatia não proliferativa e proliferativa
- Não proliferativa: existem alterações nos vasos da retina, como pequenas dilatações e hemorragias, mas ainda não há formação dos novos vasos que caracterizam a fase proliferativa. Sua gravidade varia; não significa necessariamente uma alteração leve.
- Proliferativa: surgem novos vasos anormais. Eles podem sangrar para o vítreo, o gel que preenche o olho. Também pode haver formação de tecido cicatricial que traciona a retina e, em alguns casos, provoca descolamento de retina.
Essa distinção ajuda a orientar o tratamento, mas o exame também precisa avaliar a mácula e outras características de cada olho. Entenda os estágios na American Academy of Ophthalmology.
O que é edema macular diabético?
A mácula é a região central da retina, importante para ler e reconhecer detalhes. O acúmulo de líquido nessa região recebe o nome de edema macular e pode deixar a visão embaçada ou distorcida.
O edema macular diabético pode ocorrer tanto na retinopatia não proliferativa quanto na proliferativa. Portanto, não é uma etapa obrigatória antes da fase proliferativa, nem deve ser confundido com ela. Referência clínica da AAO sobre retinopatia diabética.
Sintomas e sinais de alerta
No início, pode não haver qualquer alteração percebida. Em outras situações, aparecem dificuldade para ler, visão embaçada, distorção das imagens ou manchas no campo visual. Esses sintomas também podem ter outras causas e precisam ser avaliados. Informações do NHS.
Perda súbita de visão, aumento repentino de manchas, flashes novos ou sombra como uma cortina exigem avaliação oftalmológica urgente. Não espere a consulta de rotina nem uma resposta por mensagem. Saiba mais sobre moscas volantes e flashes.
Como é feito o diagnóstico?
A avaliação inclui o histórico clínico e o exame da retina, geralmente com dilatação da pupila. A retinografia pode documentar as alterações; o OCT mostra as camadas da retina e ajuda a avaliar o edema macular. Em situações selecionadas, a angiografia auxilia na análise da circulação e dos vazamentos. Os exames têm funções diferentes e são solicitados conforme a necessidade. Informações da Sociedade Americana de Especialistas em Retina.
Veja como se preparar para a avaliação do fundo de olho no diabetes.
Quais são os tratamentos?
Alguns casos precisam de acompanhamento; outros, de tratamento ocular. A escolha considera a visão, a gravidade da retinopatia, a presença de edema e a possibilidade de manter os retornos.
- Injeções intravítreas: medicamentos anti-VEGF podem ser indicados para edema macular e determinadas situações de retinopatia proliferativa. Corticoides são uma alternativa em casos selecionados.
- Laser: pode ser indicado para controlar a doença proliferativa ou tratar situações específicas de edema macular.
- Vitrectomia: cirurgia considerada em determinadas complicações, como hemorragias persistentes no vítreo ou tração que ameaça ou compromete a retina.
O objetivo é preservar a visão e, quando possível, melhorá-la, sem garantia de recuperação. Tratamentos podem precisar ser repetidos ou combinados. O controle do diabetes continua essencial e não substitui o tratamento ocular indicado. Diretriz NICE sobre acompanhamento e tratamento.
Perguntas frequentes
É possível ter retinopatia diabética enxergando bem?
Sim. A ausência de sintomas não exclui alterações na retina. O exame é importante mesmo quando não há dificuldade para enxergar.
Todo paciente precisa de laser ou injeções?
Não. A indicação depende do estágio, da presença de edema e de outros achados. Não há um procedimento único indicado para todas as pessoas.
Usar insulina significa que a retina já está comprometida?
Não. O uso de insulina, por si só, não define a presença nem a gravidade da retinopatia. Isso depende da avaliação dos olhos. O tratamento do diabetes deve ser mantido conforme a orientação da equipe médica.
Depois do tratamento posso deixar de acompanhar?
Não. A doença pode voltar a apresentar atividade. O retinólogo orienta os retornos e verifica se é necessário manter ou ajustar o tratamento.
Acompanhamento com retinólogo em Curitiba
O intervalo entre avaliações é individualizado conforme os achados, a evolução e o contexto clínico. Enxergar bem ou controlar a glicemia não elimina a necessidade de acompanhamento.
O Dr. João Paulo Wengrzynovski é oftalmologista, retinólogo e cirurgião vitreorretiniano. As consultas e os exames são realizados no consultório do Shopping Jardim das Américas. Quando indicadas, as cirurgias são realizadas no Hospital de Olhos do Paraná.
Conteúdo educativo. O diagnóstico e a indicação de tratamento dependem de avaliação individual.
